Com as últimas eleições municipais, mais duas famílias mineiras entraram
no rol daquelas que constroem uma dinastia política
Por Juliana Cipriani
Se a política está no sangue e Minas Gerais tem uma forte
tradição das oligarquias no poder, as eleições de outubro não foram diferentes.
As urnas avalizaram a história de pelo menos duas famílias que ampliaram suas
influências elegendo novos nomes que darão continuidade à participação, agora
renovada, dos clãs: os Prado, de Uberlândia, e os Pinheiro, de Ibirité. As
novidades são Pinheirinho (Antônio Pinheiro Neto), eleito o mais jovem prefeito
do Brasil, aos 21 anos, e Ismar Prado, de 44 anos, novo vereador de Uberlândia,
no Triângulo Mineiro.
O sobrenome Prado virou
sinônimo de vitória eleitoral. Pelo menos no caso dos cinco irmãos de
Uberlândia. Há 12 anos eles podem se gabar de ocupar cadeiras nas três esferas
do Poder Legislativo – e a façanha inédita de eleger simultaneamente dois
integrantes da família para o mesmo cargo. Atualmente eles ocupam uma
cadeira na Câmara dos Deputados (Weliton Prado), duas na Assembleia Legislativa
(Elismar Prado e Liza Prado) e uma na Câmara Municipal de Uberlândia (Gilmar
Prado). Em 1º de janeiro, toma posse mais um membro do clã: Ismar Prado, o
candidato a vereador mais votado do principal município do Triângulo, escolhido
por 9.825 eleitores que foram às urnas em 7 de outubro. Ele ocupará o lugar de
Gilmar, que optou por não disputar a reeleição.
A meta do futuro vereador é
atuar na periferia da cidade. “Sempre ajudei o trabalho na comunidade, atuando
nos movimentos sociais, sempre perto do povo. Sem dúvida, a eleição (dele e dos
irmãos) é a força da nossa história de luta”, diz Ismar. A família, aliás,
evita creditar ao sobrenome a vitória nas urnas. “Nosso trabalho é diferente.
Os votos que recebemos são fruto de nosso trabalho nos movimentos estudantis e
sociais. Não nascemos em uma família de políticos”, justifica Elismar, que já
foi vereador por dois mandatos, deputado federal por quatro anos e está há dois
na Assembleia Legislativa.
De fato, filhos de um
marceneiro e uma costureira, a história política da família começou com Liza
Prado, mais velha entre sete irmãos. Na adolescência, ela era vista nos
movimentos estudantis, associações comunitárias e eventos da Igreja Católica.
Foi um passo para a filiação ao PCdoB e a eleição, em 1992, para a Câmara
Municipal de Uberlândia. De lá para cá, conquistou mais três mandatos – dos
quais em duas eleições foi a candidata que obteve o maior número de votos. O
último mandato ela deixou pela metade para tomar posse na Assembleia
Legislativa, depois de ser eleita deputada estadual pelo PSB em 2010.
Mas a trajetória dos Prado na Assembleia Legislativa não começou
em 2010. Oito anos antes, Weliton Prado conquistou uma das 77 cadeiras de
deputado estadual pelo PT. Foi reeleito na disputa seguinte, quando Elismar
Prado venceu a corrida por uma das 53 vagas mineiras na Câmara dos Deputados.
Em 2010, eles resolveram “trocar de lugar”. E não é que deu certo? Elismar veio
para Belo Horizonte e Weliton fez as malas para Brasília. E em alto estilo: foi
o mais votado do PT e o terceiro na colocação geral dos deputados eleitos.
“Sempre falo que eleição é
época de colher o que se planta ao longo da vida. Não tivemos intermediários e
sempre defendemos os direitos das pessoas. Acho que isso credenciou a gente
para ter votação expressiva”, acredita Weliton. Tanto que em duas ocasiões os irmãos
disputaram o mesmo cargo e venceram: Liza e Elismar candidataram-se juntos em
2006 para vereador e, em 2010, para deputado estadual. “Não existe essa
história de divisão de votos. Cada um faz a sua campanha, e o eleitor sabe do
nosso trabalho”, justifica Elismar. A participação na política deve se limitar
aos cinco irmãos: não faz parte dos planos da dona de casa Lucimar e da
estudante Solimar seguir os passos dos Prado. Pelo menos por enquanto.
Para a cientista política
Helcimara Telles, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG),
apesar de o Brasil ser tradicionalmente oligárquico, a transferência de votos
exclusivamente pelo nome familiar já não é tão forte no estado. “Provavelmente
o sobrenome teve peso, e aí, ainda que as estruturas políticas se modernizem,
alguns clãs ainda permanecem com algum efeito mesmo que por laços de
identidade, afeto pela família. Afinal, quem tem um bom nome é honrado, tem
crédito na praça e, consequentemente, crédito com o eleitor”, avalia.
Fonte: Revista Encontro
Hoje, deu ruim pra um dos Prados..
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